Piropo do Lat. pyropu < Gr. pyropós, olho de fogo < pyr, pyrós, fogo + ops, opós, vista
s. m., galanteio; frase lisonjeira dirigida a alguém, especialmente a mulheres.
É do conhecimento geral que qualquer rapariga ou mulher do nosso belo país à beira mar plantado e que ouse ou necessite circular nas imediações de qualquer local em obras, (ou por vezes mesmo à saída do prédio onde habita por força deste se encontrar em remodelações), será imediatamente confrontada com esses famosos espécimes trabalhadores da construcção civil,vulgo trolhas.
Ao passar habilita-se imediatamente e sem qualquer tipo de sorteio a ouvir meia dúzia de barbaridades e impropérios.
Alguém como eu , cuja profissão implica visitar vários estaleiros por semana, possui ,como é óbvio, um manancial destas pérolas que seriam suficientes para redigir uma compilação em 23 volumes com edições anuais de actualização.
A questão primordial que se coloca é:
De que modo é que estas injúrias verbais se enquadram na definição de piropo que consta no dicionário???
Na minha muito humilde opinião encaixar-se-iam muito mais adequadamente na classe de logorreia - s. f., necessidade irresistível de falar que apresentam certos alienados;verbosidade inútil e sem sentido.
Sem mais delongas deixo-vos com alguns pregões - (atenção aos/às mais melindrosos/as) os outros por favor afastem os menores do computador - alguns incluem-se na categoria "Fariam Bocage e um batalhão de camionistas enrubescer".
Actualizarei esta secção de acordo com a minha disponibilidade e claro com a frequência das minhas reuniões em locais de obra.
The Worst of . . .
“Tens um cu que parece uma cebola!É de comer e chorar por mais!”
“Contigo era até ao osso!”
“Deves ser mais apertadinha que os rebites de um submarino."
“Anda cá acima que o pai unta-te.”
“ Mãe que páre assim, devia parir de 3 em 3 meses….”
“ Tanta terra para lavrar e o meu arado a ganhar ferrugem.”
“Só não tenho pêlos na lingua porque não queres!”
“ Só queria que fosses um cavalinho de carrossel, para te montar o dia todo por 100 paus.”
“ Quem me dera que fosses um frango para meter-te um pau pelo cu acima e fazer-te suar.”
“ Se cair, já sei onde me agarrar.”
“ Com um cu desses estás convidada para cagar em minha casa”
“ Com uma montra dessas… imagino como é que é o armazém!”
“ Sobe aqui ao andaime, que eu já estou com ele montado!”
“ Tanta carne e eu em jejum”
“ És boa como milho, anda cá que eu transformo-te em pipoca.”
" Levavas com a maçaroca que havias de ver: era até fazer pipocas!"
“ Faz um bico ao trolha enquanto a massa puxa.”
“ O teu cu parece uma serra eléctrica. Não há pau que lhe resista.”
“ Olha aquela que ali vai. Aquilo é que foi uma foda bem dada”
" A tua mãe só pode ser uma ostra para cuspir uma pérola como tu.”
“ Só queria que fosses uma pastilha elástica para te comer o dia todo.”
“ És como um helicóptero… Gira, gira, gira, e boa!”
“ O teu pai deve ser Terrorista…. És cá uma bomba!”
“ Diz-me como te chamas para te pedir ao Pai Natal.”
“ Não sou o Brad Pitt mas a lamber sou como a Lassie…”
“ Com uns lábios desses, quem é que queria os 3 pratos!”
“ És cá um avião, espeta-te aqui contra a minha torre de controlo!”
“ Tu aí cheia de curvas e eu aqui sem travões.”
“ Abençoados pais que fizeram uma filha assim”
" Belas pernas! A que horas abrem? “
“ Usas cuecas TMN?É que tens um rabinho que é um mimo!”
“ Foste à tropa dama? É que já marchavas…”
“ Foste feita no calor? Até estalas…”
“ O teu pai é pedreiro? É que tens um que é obra!”
“ Há mais lá em casa como tu?”
“ Vamos tapar buracos?”
“ És católica?… É que tens um cú, valha-me Deus! “
“ Bela bilha, quando é que a gente a parte?”
“ És tão boa actriz como atrás?”
“ És tão boa actriz como a três?”
" Ó febra! Junta-te aqui à brasa!”
“ Ó morcona, comia-te o sufixo!”
” Ó boa, com um cu desses deves cagar bombons!”
“ Ó linda, sobe-me à palmeira e lambe-me os cocos…”
“ Ó boneca, se fosses de porcelana partia-te toda…”
“ Ó boneca… contigo era até achar petróleo…”
“ Ó filha, tens uns lábios que faziam feliz qualquer chupa-chupa!”
“ Ó princesa, tu comigo eras rainha!”
“ Ó filha, anda cá que o pai não aleija!”
“ Ó boa, caiava-te esse interior todo de branco!”
“ Ó boa comia-te toda!!!”
“ Ó joia! Anda aqui ao ourives.”
" Ó boa!! Hoje é o teu dia de anos?Queres vir cá soprar na vela?”
" Ó estrela queres co-meta.”
“ Ó linda, até te punha a chamar pela tua mãe!”
“ Ó amor, anda cá que o betão já está armado!”
“ Ó filha, quem me dera ser talhante só para te pôr a mão na febra.”
“ Ó boa comia-te toda!!!”
“ Ó princesa queres ve-la tesa???”
“ Ó gata… largas pêlo?”
“ Ó flor, deixas pôr?”
" Se eu fosse jardineiro nunca te faltava água.”
“ Se eu fosse vegetariano comia-te o grelo todo!”
" Meu Deus, não sabia que as bonecas andavam! "
" Meu Deus, não sabia que os anjos andavam!"
" E ainda dizem que as flores não têm pernas!"
" Enchia-te a tripa de leite!"
" Dêem-me um extintor! Fiquei a arder só de olhar para uma brasa. "
" És como as contas que chegam a minha casa: deixas-me teso. "
" Ao ver-te até o Cristo-Rei bateu palmas. "
" Queres uma viagem grátis de montanha-russa? Monta aqui. "
" Tenho aqui um foguete que te levava à Lua. "
" Dá-me o telefone da tua mãe.Quero ligar-lhe a agradecer. "
" Se tivesse uma mãe como tu, mamaria até os 30 anos. "
" Tudo o que eu quero está atrás das tuas calças."
" Ó boa, lambia-te o que tu mais gostas! "
Monday, 16 June 2008
A Língua Portuguesa e o (Des)Acordo Ortográfico
Das notícias mais tristes do Ano da Graça de Nosso Senhor de 2008.
O Governo aprovou esta quinta-feira a proposta do segundo protocolo modificativo ao Acordo Ortográfico da língua portuguesa, de 1991, comprometendo-se a adoptar as medidas adequadas para «garantir o necessário processo de transição, no prazo de seis anos».
A decisão, que ainda terá de ser sujeita à apreciação do Parlamento e do Presidente da República, Cavaco Silva, foi anunciada pelo ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, no final do Conselho de Ministros.
Pretende-se com o Acordo «a unidade da Língua» - na escrita e só na escrita, naturalmente.
Acreditam os especialistas, e não apenas eles, que, unificada, a Língua portuguesa terá outra força, ganhará em «poder de afirmação» nas instâncias internacionais.
Uniformizar a escrita para 200 milhões de falantes.
Antes de mais e qual “Velho do Restelo” afirmo peremptoriamente que não adoptarei de forma voluntária este novo acordo ortográfico.
Se, compulsivamente, for obrigada a adoptá-lo, fá-lo-ei sob protesto...vejamos o que mudará...
Consoantes mudas
Quando um dos termos de uma sequência consonântica é proferido na pronúncia culta da língua, como em “pacto” ou ficção”, fica tudo como está.
Se é invariavelmente mudo, como acontece nas palavras “acto”, “colecção” ou “director”, o “c” cai sempre. Pela mesma lógica, cai o “p” em “Egipto” ou “peremptório”, sendo que neste último caso o “m” dá lugar a um “n”: perentório.
Acentos
A conjugação na terceira pessoa do plural do presente do indicativo de verbos como ter, vir e ver - têm, vêm e vêem - perde o acento circunflexo. Passa a escrever-se, por exemplo, “reveem”.
O acento circunflexo sai também de cena nas paroxítonas (palavras com acento tónico na penúltima sílaba) terminadas em «o» duplo («vôo» e «enjôo»), usado na ortografia do Brasil, mas não na de Portugal e da terceira pessoa do presente do indicativo ou do conjuntivo de «crer», «ler» e «dar» e os seus derivados. Passará a escrever-se: creem, leem, deem e veem.
Já em “dêmos” (presente do conjuntivo), continua a aceitar-se o acento, a título facultativo, para evitar a homografia com “demos” (pretérito perfeito do indicativo).
A excepção é a forma verbal “pôde”, que preserva o acento.
Também são banidos os acentos agudos e circunflexos que ainda se mantinham em algumas palavras graves, como em “pára” ou “pêlo”, que passam a não se distinguir graficamente de para e pelo.
Hífen
Os redactores do novo Acordo Ortográfico investiram um especial esforço na regularização do uso do hífen, sobretudo nas palavras formadas por prefixação.
Algumas regras:
Quando o prefixo termina em vogal e a palavra seguinte começa com “r” ou “s”, cai o hífen e dobra-se a consoante: “contrarrelógio”.
Quando o prefixo termina em vogal e a palavra seguinte começa por uma vogal diferente, não se usa o hífen: “antiaéreo”.
Quando o prefixo termina com a vogal que inicia o elemento seguinte, usa-se o hífen: “contra-almirante”.
A excepção a esta regra é o prefixo “co-”, que se aglutina com o elemento seguinte mesmo que este se inicie com um “o”: “coocupante”.
Um dos exemplos que o texto do Acordo avança é “coordenar”, que se torna graficamente indistinguível de “coordenar” no sentido de dirigir ou supervisionar.
Os hífenes caem também em algumas locuções nas quais ainda iam sendo usados, como “fim-de-semana”.
Mas abrem-se excepções para outras, nas quais esse uso foi considerado mais generalizado, como “pé-de-meia” ou “cor-de-rosa”.
Uma alteração que será provavelmente mais difícil de interiorizar é a supressão do hífen em todos casos em que uma forma monossilábica do verbo haver se une à preposição “de”.
Passará a escrever-se, por exemplo, “hei de” e “hão de”.» (excerto de artigo do jornal Público)
Outros exemplos flagrantes: ação (em vez de acção); adotar (adoptar); fação (facção); ótimo (óptimo); receção (recepção); ou o culminante úmido (húmido).
E ainda com a incorporação do k, w e y, o alfabeto deixará de ter 23 letras para ter 26.
Barbarismo: «biópico»
Falta de palavras?
Visto que hoje em dia não só os jornais de referência influenciam a língua portuguesa, cito uma frase de um pasquim que li aleatoriamente enquanto aguardava a minha dose de cafeína num balcão de uma pastelaria da capital:
«O actor [Johnny Depp] está em conversações para vir a interpretar o papel de Freddie Mercury num filme biópico sobre os Queen, que deverá ser produzido por Robert de Niro.»
Quantos leitores daquele jornal saberão o que significa o barbarismo «biópico»?
Em inglês, é uma amálgama, a partir de bio(graphical) + pic(ture).
Em português....não é nada e sinceramente nem é necessário.
Vasco Botelho de Amaral sabiamente diz: «Infelizmente, não é só a introdução desordenada de vocábulos estranhos que se verifica nas páginas dos jornais e nas emissões radiofónicas.
A estrutura da Língua, o jeito característico da sintaxe portuguesa vai-se todos os dias alterando em subordinação às construções estrangeiras» (Subtilezas, Máculas e Dificuldades da Língua Portuguesa, edição da Revista de Portugal, Lisboa, 1946, p. 125).
Das notícias mais tristes do Ano da Graça de Nosso Senhor de 2008.
O Governo aprovou esta quinta-feira a proposta do segundo protocolo modificativo ao Acordo Ortográfico da língua portuguesa, de 1991, comprometendo-se a adoptar as medidas adequadas para «garantir o necessário processo de transição, no prazo de seis anos».
A decisão, que ainda terá de ser sujeita à apreciação do Parlamento e do Presidente da República, Cavaco Silva, foi anunciada pelo ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, no final do Conselho de Ministros.
Pretende-se com o Acordo «a unidade da Língua» - na escrita e só na escrita, naturalmente.
Acreditam os especialistas, e não apenas eles, que, unificada, a Língua portuguesa terá outra força, ganhará em «poder de afirmação» nas instâncias internacionais.
Uniformizar a escrita para 200 milhões de falantes.
Antes de mais e qual “Velho do Restelo” afirmo peremptoriamente que não adoptarei de forma voluntária este novo acordo ortográfico.
Se, compulsivamente, for obrigada a adoptá-lo, fá-lo-ei sob protesto...vejamos o que mudará...
Consoantes mudas
Quando um dos termos de uma sequência consonântica é proferido na pronúncia culta da língua, como em “pacto” ou ficção”, fica tudo como está.
Se é invariavelmente mudo, como acontece nas palavras “acto”, “colecção” ou “director”, o “c” cai sempre. Pela mesma lógica, cai o “p” em “Egipto” ou “peremptório”, sendo que neste último caso o “m” dá lugar a um “n”: perentório.
Acentos
A conjugação na terceira pessoa do plural do presente do indicativo de verbos como ter, vir e ver - têm, vêm e vêem - perde o acento circunflexo. Passa a escrever-se, por exemplo, “reveem”.
O acento circunflexo sai também de cena nas paroxítonas (palavras com acento tónico na penúltima sílaba) terminadas em «o» duplo («vôo» e «enjôo»), usado na ortografia do Brasil, mas não na de Portugal e da terceira pessoa do presente do indicativo ou do conjuntivo de «crer», «ler» e «dar» e os seus derivados. Passará a escrever-se: creem, leem, deem e veem.
Já em “dêmos” (presente do conjuntivo), continua a aceitar-se o acento, a título facultativo, para evitar a homografia com “demos” (pretérito perfeito do indicativo).
A excepção é a forma verbal “pôde”, que preserva o acento.
Também são banidos os acentos agudos e circunflexos que ainda se mantinham em algumas palavras graves, como em “pára” ou “pêlo”, que passam a não se distinguir graficamente de para e pelo.
Hífen
Os redactores do novo Acordo Ortográfico investiram um especial esforço na regularização do uso do hífen, sobretudo nas palavras formadas por prefixação.
Algumas regras:
Quando o prefixo termina em vogal e a palavra seguinte começa com “r” ou “s”, cai o hífen e dobra-se a consoante: “contrarrelógio”.
Quando o prefixo termina em vogal e a palavra seguinte começa por uma vogal diferente, não se usa o hífen: “antiaéreo”.
Quando o prefixo termina com a vogal que inicia o elemento seguinte, usa-se o hífen: “contra-almirante”.
A excepção a esta regra é o prefixo “co-”, que se aglutina com o elemento seguinte mesmo que este se inicie com um “o”: “coocupante”.
Um dos exemplos que o texto do Acordo avança é “coordenar”, que se torna graficamente indistinguível de “coordenar” no sentido de dirigir ou supervisionar.
Os hífenes caem também em algumas locuções nas quais ainda iam sendo usados, como “fim-de-semana”.
Mas abrem-se excepções para outras, nas quais esse uso foi considerado mais generalizado, como “pé-de-meia” ou “cor-de-rosa”.
Uma alteração que será provavelmente mais difícil de interiorizar é a supressão do hífen em todos casos em que uma forma monossilábica do verbo haver se une à preposição “de”.
Passará a escrever-se, por exemplo, “hei de” e “hão de”.» (excerto de artigo do jornal Público)
Outros exemplos flagrantes: ação (em vez de acção); adotar (adoptar); fação (facção); ótimo (óptimo); receção (recepção); ou o culminante úmido (húmido).
E ainda com a incorporação do k, w e y, o alfabeto deixará de ter 23 letras para ter 26.
Barbarismo: «biópico»
Falta de palavras?
Visto que hoje em dia não só os jornais de referência influenciam a língua portuguesa, cito uma frase de um pasquim que li aleatoriamente enquanto aguardava a minha dose de cafeína num balcão de uma pastelaria da capital:
«O actor [Johnny Depp] está em conversações para vir a interpretar o papel de Freddie Mercury num filme biópico sobre os Queen, que deverá ser produzido por Robert de Niro.»
Quantos leitores daquele jornal saberão o que significa o barbarismo «biópico»?
Em inglês, é uma amálgama, a partir de bio(graphical) + pic(ture).
Em português....não é nada e sinceramente nem é necessário.
Vasco Botelho de Amaral sabiamente diz: «Infelizmente, não é só a introdução desordenada de vocábulos estranhos que se verifica nas páginas dos jornais e nas emissões radiofónicas.
A estrutura da Língua, o jeito característico da sintaxe portuguesa vai-se todos os dias alterando em subordinação às construções estrangeiras» (Subtilezas, Máculas e Dificuldades da Língua Portuguesa, edição da Revista de Portugal, Lisboa, 1946, p. 125).
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